Tuesday, June 04, 2013

Matilde


 (...)

Quero defender tudo o que tenho 
e não sei por onde começar...
É o destino de todas as mulheres. Temos um filho, 
queremos superar-nos através dele, fazer que ele seja alguém 
e não sabemos por onde começar...

(pausa)

 Chega-nos o homem a casa, farto das batalhas do dia a dia, 
cansado de morrer aos poucos — queremos fazê-lo renascer, 
chegar com a nossa ternura ao fundo do seu coração,
e não sabemos por onde começar...

(pausa)

 Despertamos a meio da noite, damos com o nosso homem, acordado, com os olhos postos sabe-se lá em quê, queremos dar-lhe a mão, ver o que ele vê, 
e não sabemos por onde começar...

(pausa)

 Um dia, encontramos o nosso homem a sonhar outro mundo 
— sabemos que esse sonho poe termo à paz que tanto desejamos,
e, mesmo assim, queremos dizer-lhe que siga o seu caminho, 
que iremos com ele até ao fim, mas não sabemos por onde começar...

(...)


do monólogo de Matilde, personagem da peça "Felizmente à Luar!" de Luís Sttau Monteiro

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